Eram diferentes as manhãs que outrora nasciam. Havia em meu coração uma razão de existir. Razão que não mais existe.
Quanto me desespero, sabendo que flores havia; que lágrimas escorriam; que caminhávamos, mesmo que, em incertas direções.
Hoje sei que podemos destruir. Com nosso rancor, todas as coisas. Antagônico sentimento, corrompendo os homens, tornando-os seus próprios algozes.
Seu desamor pode contagiar a sua razão. O que será do meu castelo de areia, desprotegido da fúria que contra ele atenta?
Desafortunado castelo...desafortunado de mim.
Não é a miséria material a pior miséria. Ouço vozes, sinto olores, tateio o nada em busca de algo. Do que é esse gosto amargo na boca?
Sinto-me vazio e é completo o meu isolamento. Esvai-se o tempo de todas as ampulhetas, esvai-se a vida do meu corpo, perde-se a alma do meu ser.
Nada tenho a dizer. Nada tenho. Queria convencer-me que é substancial o que sou, mas não posso.
Não posso desvanecer das crianças, o sorriso, das mulheres o afeto. O amor que sinto e desatina. Desatina os seus olhos que me fitam com insistência, os seus lábios que busco, mesmo quando me falta tudo. Seus lábios serão a derradeira lembrança que levarei comigo.

Nenhum comentário:
Postar um comentário